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Livros Sobre Tatuagem

A enciclopédia das tatuagens dos presidiários russos

Danzig Baldaev foi um guarda prisional russo que viveu entre 1985 e 2005. Entre os anos de 1948 e 2000, Danzig dedicou-se a desenhar e fotografar mais de 3 mil tatuagens de criminosos encarcerados em seu país, mas as imagens só ficaram conhecidas em 2004, com a publicação do livro Russian Criminal Tattoo Encyclopaedia pela editora londrina Fuel. Os desenhos causaram impacto imediato e se tornaram um fenômeno editorial que resultou em mais dois volumes. Um dos pontos interessantes das tatuagens dos presos russos era o teor político que muitos dos desenhos representavam com crítica ao regime soviético. Ladrões, assassinos e arruaceiros revelam, nos desenhos que imprimiram em seu corpo, um grau de politização surpreendente, e também um desprezo completo  pelo comunismo praticado na extinta União Soviética após a chegada de Josef Stalin ao poder.

Danzing, quando criança, foi colocado em um orfanato porque seu pai, um “inimigo do regime”, havia sido enviado ao exílio por Stalin. Depois de servir o Exército, Baldaev foi obrigado pelo NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos) a trabalhar como carcereiro em uma prisão de Leningrado. Durante os mais de 50 anos em que trabalhou no sistema prisional russo, ele foi desenhando e arquivando as tatoos. Baldaev chegou a ser denunciado à KGB, que enxergou, no entanto, alguma utilidade naquele bizarro catálogo e deixou-o prosseguir.

Abaixo seguem os significados de algumas das tatuagens anti-soviéticas dos presos russos:

 

Russian Criminal Tattoo Encyclopaedia 21

(Com Marx ao centro, as letras desta tatuagem significam: “Os judeus transformaram os russos em suas cobaias”. Anti-comunismo e anti-semitismo)

Russian Criminal Tattoo Encyclopaedia 22

(Lenin caracterizado como a besta do Apocalipse com O Capital em mãos. Abaixo está escrito: “O chefe do Partido Cominista Soviético”. Na foice, “Avante Comunismo!”)

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